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São 100 anos de idade, muitos prêmios, alguns livros e inúmeros projetos, dentre os quais estão os principais pontos turísticos de Brasília. O arquiteto Oscar Niemeyer é conhecido mundialmente por seus desenhos que ilustram grandes metrópoles do mundo. Diante de tantas obras e, claro, muita experiência acumulada digna de um centenário, Niemeyer não se cansa de produzir e alça vôos inesperados. No entanto, não se trata de mais um museu ou igreja, desta vez o arquiteto resolveu colocar no papel, em forma de revista, parte do que viveu em um século de vida. Idealizada por ele e pela esposa Vera Lúcia Niemeyer a publicação “Nosso Caminho” será lançada, nesta terça-feira, na capital federal, no espaço Oscar Niemeyer.

A revista, ao contrário do que se imagina, não aborda apenas a arquitetura. Na verdade, a arte é tema de um terço do material. A outra parte é ilustrada por artigos relacionados a diversos assuntos da atualidade visando à discussão do momento atual e dos problemas permanentes em que a sociedade vive. “A expectativa é levar os jovens a pensar no seu país e na América Latina. Evitando a abordagem profissional, voltada apenas para sua especialização. Os temas variam de arquitetura a cultura”, explica Vera Lúcia, que também é diretora da revista. Além disso, também será reservado um espaço para homenagear uma personalidade. Nesta primeira edição o condecorado será o cantor e compositor Chico Buarque.

O lançamento recupera um antigo projeto do casal, que, por falta de tempo, levou alguns anos para idealizá-lo. A primeira vez que o arquiteto lançou uma revista foi Módulo , em 1950. A publicação, que era especificamente dedicada à arquitetura, teve sua edição suspensa depois do golpe militar de 1964 e só foi liberada em 1975. “Só agora tivemos tempo de voltar a fazer a revista. Desde o lançamento no Rio de Janeiro, em maio, temos tido uma resposta muito positiva, espero que continue com o interesse que tem despertado, principalmente, nos jovens estudantes”, afirma Vera.

Os leitores poderão conferir na Nosso Caminho deste trimestre os artigos O encontro das artes e Não basta louvar de Niemeyer, além de textos de José Luís Fiori, José Carlos Sussekind, Ubiraja Brito e outros. O destaque vai para o depoimento histórico de Rui Moreira Lima, 89 anos, um dos sobreviventes do Senta a Pua , grupo de combate da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Paralela ao lançamento, a exposição Projetos Recentes será inaugurada, no mesmo local, e estará aberta aos visitantes até o dia 31 de agosto. Dentre as mostras estão um museu em Avilés, na Espanha, um centro cultural em Valparaíso no Chile, e uma grande praça na nova capital do Cazaquistão, Astana. Além destes, a esperada Torre Digital de Brasília, que vai permitir a implantação da TV Digital na cidade, também estará na mostra e será a ilustração da capa desta primeira edição.

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